Não, não se trata de um conceito abstrato, nem de pura poesia,
mas sim de um sentimento profundo de perda de autonomia e controlo técnico.
mas sim de um sentimento profundo de perda de autonomia e controlo técnico.
Há vários anos atrás quando a SGE foi mandatada como Entidade
responsável pela centralização dos serviços de toda a esfera da Economia,
vários destes Organismos perderam a sua autonomia -
'em prol da eficiência e racionalização de custos'.
Doeu-lhes, agora consigo entender melhor...
Desta vez, foi a própria SGE a passar pelo crivo e a ser extinta:
A S.G. da Economia e mais sete Secretarias-Gerais.
Durante mais de um ano, não dei muito conta disso; já que continuei a
"a ter a chave" e a gerir as nossas Plataformas, tal como fazia anteriormente...
Mas agora, nota-se que está mesmo a acontecer.
Aos poucos, tijolo a tijolo, a nossa casa vai desaparecendo,
e avança para uma terraplanagem, onde só sobrará pó e cinzas.
Aos poucos, o que antes geríamos, é migrado, integrado,
e desaparece do nosso olhar...
É um sentimento de perda de "soberania digital".
Há dias, num desabafo com um colega, ele dizia-me com alguma lucidez:
"Se fosse para continuar como estava, não se trataria de uma integração,
mas de um arquipélago de ilhas autónomas, ou de um latifúndio de quintas!"
E eu entendo...
SE a nova Entidade fosse apenas um agregador de silos,
nós manteríamos as chaves dos nossos equipamentos,
mas isso não seria uma integração verdadeira, nem faria, convenhamos, sentido!
Para sê-lo, exige-se a dissolução da identidade antiga em prol do todo.
Mas, até agora, apesar de tudo...,
tínhamos conseguido manter viva a memória e a autonomia da nossa "casa".
Mas a centralização é um rolo compressor:
À medida que as máquinas e os contextos vão migrando,
e os comandos vão passando para outras mãos,
a antiga Secretaria-Geral perde um pouco mais da sua Infraestrutura,
deixando de ser um espaço físico, gerido por "nós",
para passar a ser apenas uma linha de código numa infraestrutura gigante.
Tudo o que era o centro do nosso universo de trabalho,
dilui-se gota a gota, até desaparecer do nosso alcance.
O desafio futuro já não é apenas técnico, é identitário!
Como nos podemos reinventar quando deixarmos de ser os donos da nossa própria quinta,
para passarmos a ser operários num território que já não nos pertence?!
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Manuela Moreira










