A finitude não é tão triste quanto a perda das faculdades.
A debilidade instalada sem que seja percetível ao próprio,
leva a consciência a um outro nível,
mascarando a realidade
e trazendo dor.
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Manuela Moreira
A finitude não é tão triste quanto a perda das faculdades.
A debilidade instalada sem que seja percetível ao próprio,
leva a consciência a um outro nível,
mascarando a realidade
e trazendo dor.
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Manuela Moreira
Investi tempo e carinho neste blog
Sabe bem ter um espaço onde posso ser eu, sem grandes explicações.
Às vezes esqueço-me o quão bom é e não venho, não estou presente.
Mas quando volto, é sempre melhor.
É como se um encontro comigo mesma,
me trouxesse descobertas,
me mostrasse o que eu já não me recordo,
mas que continua a fazer parte de mim.
Ao reler-me, espanto-me..
parece que observo de fora e não sou eu,
mas ao mesmo tempo, identifico-me.
É uma sensação boa.
Mais espantoso é confirmar nas estatísticas
que outros também me leem,
gente de países longínquos, aos quais nunca fui
e provavelmente nunca irei.
Aos que captam em silêncio,
os meus sentires e os meus viveres,
Voltem.
Eu vou tentar voltar também!
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Manuela Moreira
Como sabem que sou fã de arte, foi-me oferecido e muito apreciei, um prato pintado à mão e ao que vim a descobrir, inspirado na arte Mudéjar.
Já fiz a minha pesquisa, entretanto:
Vim a saber igualmente que o Palácio do Alhambra também foi construído em estilo Mudéjar ou pelos próprios - já lá estive, em Granada (Espanha) há muitos anos atrás e na altura não tinha esse conhecimento, mas já na altura apreciei muito aquele trabalho de minúcia e bom gosto.
Deus escreve certo...
Muitos ainda os sei hoje e se não os digo mais vezes é porque acabo por achar que as pessoas mais novas relacionam este tipo de comentário com os mais velhotes e eu, como todos, não quero ainda estar nesse grupo. Mas ao mesmo tempo, faz-me voltar no tempo e lembrar-me da minha avó, aconchega-me a alma, em tempos que não estão fáceis. A minha avó estava lá sempre para mim - era forte e determinada e não tinha medo de nada, o que me tornava destemida também... e quando não o conseguia ser, ela era o meu porto de abrigo; um deles, porque felizmente havia mais..
Porquê escrever sobre este ditado em particular?
Porque por vezes acontecem situações, decididas por terceiros, que alteram vidas e causam medo e insegurança. E a 'vó' Elisa já não está por cá, para me acolher e acalmar e dizer que tudo vai ficar bem, porque Deus escreve certo, por linhas tortas. Tentei imaginar o que diria a minha avó sobre o que me estava a acontecer: O ano que passou foi um ano de mudanças inesperadas para a minha vida. Há décadas no mesmo emprego e a poucos anos da reforma, era impensável, para mim, achar que mudaria de emprego.
De repente senti o chão fujir-me debaixo dos pés, quando anunciaram a extinção daquela que era a minha casa há mais de trinta anos. Estava mesmo a acontecer e eu sentia como sendo um terramoto que se abatia sobre mim. As águas separaram-se em duas partes e o que eu imaginava que seria algo parecido com o continuar do que tinha antes, ficou cada vez mais longe. A ilha que parecia ser a salvação ao naufrágio e onde tinham conseguido chegar muitos daqueles que eu conhecia, estava inalcansável. Apesar dos meus esforços, ficava cada vez mais distante e, quando caí na realidade, apercebi-me que não era mesmo para mim.
A solidão nunca foi algo que me incomodasse, pelo contrário, desde miúda, filha única, aprendi a gostar de estar na minha própria companhia, no meu mundinho, dos livros, dos pensamentos e as pessoas que estavam à volta, quando eu decidia sair do casulo, estavam lá de pedra e cal e eram confiáveis, como a minha avó Elisa.
Talvez tenha a ver com a idade ou com as circunstâncias adversas daquele momento, mas ao olhar à volta, não vi ninguém. A ilha já era só um pontinho no horizonte e de repente, sinceramente, tive medo e senti na solidão que me envolvia um frio intenso... assustador.
Dizem que não vale a pena remar contra a maré, julgo que é outro ditado e deixei-me ficar à deriva e ver até onde o mar me levava. Pensei na minha avó e na falta que as suas palavras me faziam: "Chorar não é uma solução; pode aliviar o coração, mas não resolve o problema de fundo". O que faria a minha avó no meu lugar? O que me diria se estivesse por perto? Ela que era tão corajosa, que enfrentava sempre a vida de frente..
Pensei em mais um ditado: " O que não tem remédio, remediado está!"
Se eu já fiz tudo o que podia e não consegui agarrar-me aquilo que eu pensava ser a bóia de salvação, então, só me restava acreditar que o que estava para vir, podia não ser tão mau como eu imaginava que fosse. E se fosse, logo veria como agir.
Os dias foram passando, conheci novos colegas, novos chefes, fui-me integrando e aquilo que inicialmente parecia uma nuvem negra cheia de perigos, começou a dissipar-se e o que foi surgindo foi algo que eu vou podendo aceitar e viver como algo bom. Finalmente, nove meses volvidos, consigo escrever sobre este tema, sem mágoas.
E mais do que isso, consigo até divisar a mão divina no meio do caminho. Será? O caminho que parecia não ser o melhor para mim e que eu durante o tempo que pude, lutei para contornar, era afinal, consigo ver agora, claramente, o melhor caminho para mim. A ilha que me parecia ser o meu porto seguro, era afinal só uma miragem e nem sequer existia.
Talvez os ditados populares não sejam apenas meras frases de circunstância, mas tenham sido criados com base em vivências reais e divinas também, quem sabe!!
Talvez a avó Elisa tenha dado uma ajudinha, nem que seja apenas para levar a dela adiante e provar que os seus ditados são verdadeiros. ;)
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Manuela Moreira
O frio instalou-se!
Está branco lá fora e as pegadas, são marcas no chão.
Mas as marcas na alma são mais profundas...
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Manuela Moreira
Sugestão de pequeno-almoço:
(Há muitas receitas de panquecas de banana, mas estas foram extraídas de um blog dinamarquês: https://nordicfoodliving.com mantido pelo Kim Nielsen, que adora cozinhar e partilha muitas receitas tradicionais da Dinamarca e outras receitas saudáveis).
Panquecas de Banana
Imagino partir como sendo algo bom e sereno, um 'soltar'..
A alma a deixar um corpo doente, tornando-se luz no firmamento.
Mas, para quem fica, a dor pesa e torna-se complicado aceitar.
Que a dor passe e que fiquem apenas as lembranças de cada bom momento.
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Manuela Moreira
(para a Candinha e seus familiares)
Paula Rego - Homenagem à pintora, e à sua grande obra.
R.I.P.
Embora não seja o meu género de pintura, levou o nome de Potugal longe, sendo o seu talento reconhecido e prestigiado!
Ericeira no Coração
A cada pôr do sol, uma retrospetiva do dia: um lamento sobre o que correu menos bem e que após o sol se pôr, passa a facto histórico. Depois, só resta olhar e admirar a beleza que daí advém.
Ninguém sabe muio bem porquê, mas aquele dégradé de cor, entre o amarelo torrado e o laranja escuro, pictórico, combina na perfeição com os castanhos da terra e faz brilhar intensamente o mar, àquela hora, já meio escurecido.
E compensa o dia, vê-lo, ali "tão perto", a pincelar de cor o horizonte enternecido.
Que bonito é o pôr do sol!
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Manuela Moreira
À descoberta do mundo, dominas todos os tempos,
crescendo ao vento e somando passatempos.
Conduzes o barco para além da aventura, sem exitações ou demoras,
mas com uma alegria escancarada, de risadas tão sonoras.
Juntos galgam ondas, atravessando medos, na espuma dos ventos.
abrindo novos caminhos e desafiando os elementos.
As águas calmas colaboram na aventura, ondulando.
E as gaivotas gritam o momento, exortando.
Pirata armado com espada de madeira e ar intrépido,
avança a bombordo e dá uma estocada no ar, com estrépido;
O monstro marinho, azul esverdeado, cai desamparado, guinchando com especial efeito..
E, de volta, vitorioso, exortas, com vénia, os teus imediatos a aplaudirem o feito.
São eles o gato preto Farrusco e a patinha Vitória,
(que miam e grasnam), em dueto, celebrando a grande glória.
Eis o mundo da fantasia,
Eis o verso na poesia!
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Mnuela Moreira
Talvez não acerte..

